
Em 2007 Eu era ouvinte assíduo da Fm Cultura
aqui De Porto Alegre, principalmente do programa
Conversa de Botequim, onde ouvi pela primeira vez
Caio bassitt um paulistano que me deixou muito
muito impressionado principalmente com a música
Vinho de Dionísio.
Vinho de Dionísio
Vou lhe mostrar como se causa um prejuízo
E Jesus Cristo haverá de perdoar
Eu aprendi com o vinho de Dionísio
Que o juízo serve só pra incomodar.
Se for preciso eu confesso o meu segredo
O excesso é o medo que eu gozo por temer
Um dia desses vou pegar você no braço
E mostrar o que é que eu faço com meu corpo a ferver.
Pra dar início vou despir seu psiquismo
Manipulando sua mente sem razão
Talvez usar um pouco do seu masoquismo
Te lambuzar com sangue de menstruação.
Depois passar a língua entre os seus seios
Vasculhando seus anseios, te ensopando de prazer
E vou causar uma revolução francesa
Com suas velas já acesas e seus lábios a gemer.
Vou te jogar numa parede bem gelada
E arrepiar seus pelos com o meu calor
Descer com a boca até sua coxa ainda acanhada
E te encharcar como um viril vibrador.
Ainda insana vou te arremessar na cama
Como a mais fogosa dama do filme mais proibido
Desjejuada, mas com um pouco de vergonha
Você despedaça a fronha e liberta a sua libido.
Então te aperto como o urso mais louco
Depois te rasgo como o navio rasga o mar
E salivar sobre o seu corpo feito lobo
E como rato te roer até sangrar.
E te morder bem forte até chegar no osso
Lamber todo o seu pescoço e seu conceito ensurdecer
E como eu sei que nada você tem de santa
Ejaculo na garganta pra você aprender a viver
E digerir com os meus órgãos os teus planos
Que não passam de enganos que sua mente converteu
Mas tudo isso com o mais doce carinho
Pois você é um passarinho que do ninho renasceu.
Identifiquei-me muito com o trabalho de Caio
e resolvi me corresponder com o cara,
não acreditando que teria uma resposta.
Como ele respondeu o meu email
em seguida enviei o texto abaixo
e anexei três letras minhas que seguem.
("Não Vou", inclusive, já avia postado aqui)
A resposta eu não tenho mais, mas
foi bastante positiva.
Oi, Caio, sou o Moacir, o cara que ficou embasbacado ontem com o Vinho de Dionísio. Quando ouvi as tuas composições me identifiquei muito. Sou completamente apaixonado pelo samba ancorado na época de Noel Rosa, tanto que quando li uma biografia dele a uns anos atrás, fiquei tão empolgado que criei alguns sambas inspirados nos daquela época e peço que me desculpe a pretensão, pois não sou músico, nem entendo nada de música, nem toco algum instrumento. Sou um Quadrinista que ganha a vida Fazendo ilustrações, que foi enfeitiçado pelo espirito daquela época em que um negro analfabeto morador dos morros do Rio de Janeiro conseguia compor maravilhas.
Abaixo vão dois sambas que criei e uma outra música que acredito estar mais para um bolero, as melodias só existem na minha cabeça.
NÃO VOU
Não vou para o meio deles, não vou
Cheio de trapos e decepções
Carrego dentro de mim um acido
Que pode corroer suas palavras e esculhambar
a sua diversão
Não vou, não vou por que
ninguém vai entender
aquilo que eu faço pra sobreviver
E não gosto de interrogatórios
Nem tenho paciência
pra comentários simplórios
Nem bem sucedido
Nem muito vivido
Nem descontraído
Pouco esclarecido
Mas tenho boa intuição
E é por isso que eu não vou
(refrão)
PREVIDÊNCIA
Quem quer
guardar dinheiro
pro nada
Que guarde então
Que o nada então
Seja a razão
da sua existência
Que compre um futuro
Se sinta seguro
Tenha muita paciência
Que depois, bem velhinho
terás um lugar bem garantido
no fundo da fila da previdência
no fundo da fila da previdência
...QUE TE ESPERO
Será que te espero
E não sei que te espero
As vezes pondero
E nada me faz crer
Será que ainda não te esqueci
Serás um fantasma
Assombrando meus dias
Me tiraste de tudo
Já nem tenho alegria
Nem sequer sabia
Que tanto mau
Irias me fazer
E será que sozinho
Enfrento o caminho
E meu desespero
Talvez me faça entender
Que a vida desperta
E se passa depressa
Não vale a pena ter pressa
Talvez um dia
Ainda possa esquecer
Mas ainda te espero
Tanto me causa dor
Apalavra induz-me
A matar-te
Em meu poema de amor